Casa de Dharma - Centro de meditação budista Theravada

O que é Vipassana

2 Zafus de Meditação

Significa vi – clareza –, passana – ver –, ver claramente, intuição imediata, insight, por meio da experiência da contemplação direta das coisas.

Meditação significa a prática de desenvolvimento – bhavana –, cuja base é a consciência plena, a atenção plena – sati. As traduções em inglês usam termos equivalentes como awareness, mindfulness.

Vipassana significa vi – clareza –, passana – ver –, ver claramente, intuição imediata, insight, por meio da experiência da contemplação direta das coisas.
Visão interior é ver as coisas como elas realmente são, seja do nosso mundo interior ou exterior. Ver as coisas segundo sua tríplice característica:

  • impermanência – anicca
  • sofrimento e insatisfação – dukkha
  • insubstancialidade de um “eu” ou de um “meu” – anatta

Nossa mente é como um lago de águas agitadas, o que impede que a luz emerja do fundo de nós e que por ela vejamos a realidade claramente. Tendemos a reagir automaticamente, movidos por impulsos que não percebemos em suas causas, desenvolvimento e consequências. Para lidar com isso, precisamos de um método que ofereça um suporte que torne a mente calma e concentrada – samadhi –, enetrante.

Esse suporte ou foco é a respiração. Em vez de sons ou visualizações, seguimos o método que usa a respiração como base para adestrarmos a atenção – sati – e despertarmos a mente. Inspirando e expirando, a mente traz de modo estável a atenção para o conhecimento do corpo e da mente, conhecimento que, apoiado pela sabedoria – pañña –, erradica da mente os venenos da ganância, do ódio e da delusão, conduzindo a mente para a Liberação, para a Iluminação.

Vipassana e Samatha: A Meditação ensinada pelo Buda.

No Budismo temos dois tipos principais de meditação. São habilidades mentais distintas, modos de funcionamento ou qualidades da consciência. Em páli, idioma original da literatura Theravada, elas são chamadas Vipassana e Samatha.

Vipassana pode ser traduzida por insight, uma consciência clara do que está exatamente acontecendo no momento em que acontece. Samatha pode ser traduzida como concentração ou tranquilidade. É um estado em que a mente é levada ao repouso, focalizando apenas um item, não se permitindo que ela divague. Quando se alcança isto, o corpo e a mente são tomados de uma profunda calma, um estado de tranquilidade que deve ser experimentado para ser compreendido.

A maioria dos sistemas de meditação dá ênfase ao componente Samatha. O meditante foca a mente em certos itens, tal como uma prece, certos objetos específicos, um cântico, a chama de uma vela, uma imagem religiosa ou qualquer outra coisa, e exclui da consciência todos os demais pensamentos e percepções. O resultado é um estado de êxtase que perdura até o término da meditação sentada. É belo, deleitoso, significativo e atraente, mas apenas temporariamente. A meditação Vipassana volta-se para o outro componente, o insight.

O praticante de meditação Vipassana usa sua concentração como um instrumento através do qual sua consciência vai demolindo aos poucos a muralha de ilusão que o separa da luz viva da realidade. É um processo gradual de aumento constante da consciência e dirigido para os processos internos da própria realidade. Demora anos, mas um dia o meditante rompe o muro e, de súbito, se encontra na presença da luz. A transformação é completa. Chama-se libertação, e é permanente. A Libertação é a meta de todos os sistemas de prática budista. Porém as rotas para atingir esse fim são muito diferentes.

Bhante Henepola Gunaratana,

Mindfulness in Plain English p.3,

USA: Wisdom, 2002

Saiba mais em:

Bhikkhu Bodhi: Dois Estilos de Meditação Vipassana (2000) (fonte: Acesso ao Insight)